
O Centro Espírita Beneficente União do Vegetal publicou, na edição deste primeiro de abril de 2016 do jornal Folha de S.Paulo, nota de esclarecimento que é reproduzida a seguir:
Nota de Esclarecimento
O Centro Espírita Beneficente União do Vegetal, alvo de citações, na imprensa e nas redes sociais, associando-o, de maneira depreciativa, ao atual ministro da Justiça, sente-se no dever de esclarecer ao público:
O senhor Eugênio Aragão desligou-se, por razões pessoais, de nosso quadro de sócios em 2006, não mais o frequentando desde então.
No período em que frequentou este Centro mostrou-se pessoa cordata, responsável e prestativa, não havendo nada em nossos registros que possa desabonar sua conduta.
Outros dados a serem esclarecidos:
A União do Vegetal (UDV), religião de fundamentação cristã-reencarnacionista, não é o Santo Daime, nem dele faz ou fez parte.
Tem história, doutrina e rituais distintos. Foi criada por José Gabriel da Costa, o Mestre Gabriel, em 22 de julho de 1961 num seringal da Amazônia e posteriormente registrada em Porto Velho.
A UDV possui hoje 217 núcleos no Brasil e no exterior, com cerca de 20 mil sócios. Tem núcleos nos Estados Unidos, Reino Unido, Espanha, Suíça, Itália, Holanda e Austrália.
Em todos esses países, assim como no Brasil, obteve registro legal e funciona observando as leis do país, sem que, em seu histórico, haja causado qualquer dano à ordem pública.
O Vegetal ou Hoasca (assim a UDV denomina a Ayahuasca) não é, como alguns equivocadamente afirmam, “droga alucinógena”. Não causa dependência e não há registro de danos à saúde física e mental, como tem sido demonstrado e comprovado por pesquisas científicas que embasaram, perante as autoridades, a autorização de seu uso religioso.
Esse uso está autorizado no Brasil desde 1986, pelo órgão que então detinha essa prerrogativa, o Conselho Federal de Entorpecentes (Confen), autorização submetida, posteriormente, a duas revisões – 2002 e 2006 -, pelo órgão que o sucedeu: o Conselho Nacional de Políticas Sobre Drogas (Conad), que manteve a autorização.
Na primeira autorização e em cada uma dessas revisões, o Estado brasileiro serviu-se de ampla consultoria médico-científica e de pesquisas de centros universitários do Brasil e do exterior.
O mesmo critério – rigorosa avaliação médico-científica e investigação da prática religiosa – foi adotado pelas autoridades norte-americanas, que, após sete anos de investigação, em processo submetido à Suprema Corte, teve seu uso ritualístico pela União do Vegetal aprovado por unanimidade, em 1º de novembro de 2005, decisão publicada em acórdão do dia 21 de fevereiro de 2006.
O chá Hoasca é a união de dois vegetais: o cipó mariri e a folha chacrona. A UDV não o associa a qualquer outra substância e não se responsabiliza por quem o faça. Também não o comercializa e dele faz uso exclusivamente religioso.
Orienta seus filiados contra o uso de drogas e de bebidas alcoólicas, sendo diversos os casos de recuperação e de reinserção social de antigos usuários dessas substâncias.
Mantém, em sua estrutura administrativa, um Departamento Médico-Científico, que reúne os seus profissionais da área, para supervisionar os cuidados necessários ao bom uso da Hoasca.
Por seus serviços beneficentes, a UDV recebeu o título de utilidade pública federal, assim como em diversos municípios do país. Não faz proselitismo político e almeja, com sua prática religiosa, contribuir para a construção da paz e da fraternidade universal.
Centro Espírita Beneficente União do Vegetal
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